quinta-feira, 11 de abril de 2013

CHEGADA DO CINEMATÓGRAFO A MANAUS EM 11 DE ABRIL 1897


Em 1897, Manaus contava além do imponente e majestoso Teatro Amazonas, com alguns pequenos teatros, como o Éden, muitos centros de diversões, clubes carnavalescos e esportivos, associações lítero-musicais e os novos clubes noturnos, alguns deles cabarés camuflados. Circos pululavam pelas amplas e arborizadas praças da cidade. O povo gostava de ir às corridas de touros no Coliseu Amazonense, ao carrossel de cavalinhos no Recreio Ajuricaba e aos arraiais no Pobre Diabo. Aos domingos, os passeios de bonde eram o divertimento de todas as famílias. (DAOU, 2000)
            A borracha havia transformado Manaus. A aldeia decadente de 1850 desabrochara e transformara-se na efervescente metrópole dos trópicos. E para abrilhantar ainda mais as noites alegres da nova elite boêmia, a 16 de outubro de 1896 havia sido inaugurada a iluminação elétrica no centro de Manaus, cuja luz parece ter demorado a sobrepor-se ao brilho da lua: “Nada podemos ainda dizer a respeito deste serviço, porque sendo de luara noite de inauguração, pouco ou quase nenhuma diferença notamos entre a claridade que apresentava a luz elétrica nas ruas em que ela apareceu e a que ostentava a lua nas demais ruas onde a luz elétrica não chegou”. Amazonas, 17.10.1896, p. 1.
Enfim, o cenário estava pronto para abrir o espaço à “modernidade”, que se instala, sem retorno.
            A elite divertia-se: temporadas líricas no Teatro Amazonas, saraus artístico-musicais e etílicos no Club Internacional e no Ideal Club, jogos e bebidas no Hotel Casina, alta prostituição na Pensão da Mulata e em outros cabarés... Para o divertimento da plebe havia touradas, carrosséis, cabarés de última categoria, arraiais, passeios de bondes, circos e espetáculos teatrais em hotéis-pardieiros...
            O fausto da borracha, com suas noites brilhantes e sons alegres, não era capaz, entretanto, de esconder a miséria e a fome que rondava a periferia da cidade. Funcionários sem vencimentos, crimes, roubos, mendicância escancarada, crianças perambulando pelas ruas, o outro lado triste e sujo do rosto de Manaus vinha estampado nas páginas policiais dos jornais, enquanto na primeira folha louvava-se a “calma”, a “ordem” e a “tranqüilidade pública” da capital. (DIAS, 1999).
            Nesse clima de esplendor, riqueza e miséria, o cinema chegou a Manaus, tímida e desastrosamente. Com um simples anúncio na primeira página do jornal O Imparcial no dia 11 de abril de 1897, sua estréia deixou muito a desejar, conforme informa o mesmo jornal, no dia l3:
Sábado tivemos no Teatro Amazonas uma exibição do Cinematographo. O aparelho devido a fato que ignoramos não trabalhou com perfeição, pelo que o seu exibidor não repetiu o divertimento no domingo.

 RECORTE DO TEXTO: O CINEMA NA AMAZÔNIA E AMAZÔNIA NO CINEMA DE Selda Vale.



                                 MISAM - Museu da Imagem e do Som do Amazonas


PALACETE PROVINCIAL

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